Por José Joacir dos Santos
De acordo com a tradição milenar tibetana, monges com várias mediunidades, com o dom de incorporação, são consultados periodicamente sobre os mais diversos assuntos internos e externos da administração de monastérios. Dois anos antes da invasão da China no Tibete (1950), numa daquelas sessões, o espírito incorporado no médium alertou que grande perigo estaria se aproximando. Que “pássaros de ferro” jogariam fogo do ar. “Animais de ferro da terra” destruiriam tudo o que encontrassem pela frente. Naquela época a grande maioria dos monges nunca tinha visto um avião nem um veículo militar de guerra.
O líder comunitário daquele monastério não esperou que decifrassem a mensagem. Ordenou que todos os monges descessem para a biblioteca e levassem tudo para um lugar seguro no país vizinho, o reino do Botão. Tratativas foram feitas também com o governo da Índia sobre asilo político. Assim foi feito e o monastério foi esvaziado naquilo que foi possível. Na data prevista, a China teria invadido o Tibete com 40 mil militares. Muita gente foi morta. A população atual do Tibete seria menor que a da Paraíba.
Muitos daqueles monges nunca tinham visto um avião e não sabiam bem o que seria um pássaro de ferro. Cerca de 6 mil monastérios foram destruídos, bibliotecas inteiras queimadas, monges e civis teriam sido torturados, presos e mortos. Poucos conseguiram fugir para a Índia, com o Dalai Lama, Nepal e Botão. O patrimônio cultural tibetano, inclusive de civis, foi confiscado. O país foi ocupado pelas forças estrangeiras e a ocupação se perpetua até hoje.
Se o líder daquele lugar não tivesse plena confiança na espiritualidade, tudo tinha sido destruído. Dois anos eram muito pouco para transportar todo o patrimônio, mesmo escondido, e havia o risco de serem descobertos pelas forças ocupacionistas. Não havia tempo para esperar alguém traduzir o que seria “pássaro de fogo”. Carregar com as próprias mãos ou no lombo de mulas e jumentos já não é algo fácil e muito produtivo. Mas, assim foi feito. O Tibete não tinha estradas nem rodovias. Continua a ser uma das regiões mais montanhosas do mundo e aquelas montanhas íngremes não são firmes. Há deslizamento de terras até hoje, por qualquer motivo natural. Imagine os objetos pesados e as estátuas folheadas a ouro, bronze, latão e pedras preciosas… O mundo só assistiu, nada fez. O Dalai Lama se refugiou na Índia.
A ocupação se deu de forma gradual. Há poucos anos a imprensa internacional dizia que havia no Tibete sete chineses para cada tibetano. A China já teria reconstruído escolas, templos, palácios, à moda chinesa. Budistas do mundo inteiro fizeram pesadas doações para a reconstrução de templos e bibliotecas, mas as negociações para isso duraram anos. Pássaros de ferro já voam para o Tibete com turistas e monges. A cultura tibetana continua firme no mundo inteiro, agora com livros publicados em diversos idiomas, mas ainda há notícias de que o povo tibetano não pode se expressar na sua totalidade em seu próprio solo.
O grande exemplo desta história é a confiança na espiritualidade. Essa confiança, junto com a fé, está muito abalada nos dias de hoje em todo o planeta. Anos antes da Covid-19 o mundo foi avisado e nada foi feito. Riam dos videntes e mensageiros, proibiam as vacinas. Cerca de 800 mil pessoas perderam a vida para a Covid no Brasil. O terremoto da Venezuela também foi avisado, mas os mensageiros foram ignorados. A humanidade já avançou muito neste assunto, mas ainda há mensageiros contrários, aqueles que querem ver a destruição de tudo, que trabalham incessantemente nesse sentido. Mentem e desmentem.
Precisamos ter olhos para ver, confiar, agir. Já é uma grande surpresa que a transição energética da terra, em curso, seja assunto discutido nos mais diferentes fóruns. Espero que as pessoas fortaleçam a confiança nas orações porque elas são capazes de dissolver qualquer energia negativa, especialmente quando são realizadas por muita gente ao mesmo tempo. São elas que abrem caminhos para a conexão da terra com o céu. Graças a elas, podemos nos desenvolver e ouvir os mensageiros do bem. Essa comunicação jamais deixará de existir.
joacirpsi@gmail.com
18/09/2026
