Por José Joacir dos Santos
Um dos mais antigos e conhecidos mantras do budismo tibetano é OM MANI PAD ME HUM. É uma invocação a Chenrezig, a entidade responsável pela compaixão e pelo perdão. Ela é conhecida também como Avalokitesvara, tanto no budismo como em outras religiões asiáticas, e mundialmente é venerada como Kuan Yin ou Canon (no Japão. Esses diversos nomes estão associados com a própria evolução da entidade, através das reencarnações, ao longo dos séculos. O nome Kuan Yin aparece em várias formas na Ásia, de acordo com o idioma de cada país.
Para o melhor entendimento sobre essa variedade de nomes vamos comparar com o nome das santas na Igreja Católica. Maria, a mãe de Jesus, venerada no mundo inteiro mesmo por não-católicos, recebeu vários nomes, de acordo com suas aparições públicas. Maria das Graças, da Conceição, do Perpétuo Socorro, Macarena, Senhora de Fátima e muitos outros nomes registram as aparições e devoções do povo onde elas aconteceram. Mas todas são a mesma entidade, com suas infinitas, qualidades e responsabilidades, em seus dois milênios de atuação, a mãe de Jesus. A vila de Fátima, em Portugal, já existia antes das famosas aparições de Maria e o povo a consagrou como a Senhora de Fátima ou Nossa Senhora de Fátima.
A compaixão e o perdão no budismo, em todas as suas variantes, são muito mais complexos do que a compaixão e o perdão analisados do ponto de vista ocidental e não-cristão, por exemplo sob o olhar terapêutico. No budismo, especialmente o tibetano, OM simboliza a purificação do corpo, da fala, da mente, do ego; MA significa “joia”, a depuração do ciúme, e representa a compaixão, o altruísmo; NI é a diluição da paixão exacerbada, cega, materialista; PAD é a purgação da ignorância; ME é a conscientização, o reconhecimento e o desatar da ambição; HUM é a limpeza, o desfazimento, do ódio. A substituição do ódio pela sabedoria. Quando você recita o mantar 108 vezes está invocando a interferência da entidade nesses sentimentos/emoções profundas da humanidade, os quais podem atrasar a subida na grande escada de mármore branco da evolução.
Não existe um lugar fixo para você recitar nenhum mantra. Especialmente o OM MANI PAD ME HUM, que é fácil de decorar. Pode ser no caminho para pegar o ônibus para o trabalho, na hora de dormir, na hora de acordar, enquanto caminha no shopping, em qualquer lugar. Você pode até treinar de não abrir a boca completamente para ninguém notar que você está repetindo esse maravilhoso mantra. Cada sílaba carrega consigo o poder que lhe foi confiado há centenas de anos e você não precisa ser budista para implementar essa prática na sua vida. Há inúmeras entidades que se tornaram universais, sem religião, como Kuan Yin, Maria, Jesus etc.
joacirpsi@gmail.com
em 06/09/2026

